Um apostador anônimo ganhou mais de US$ 400 mil ao apostar na Polymarket — plataforma que permite fazer apostas com criptomoedas sobre eventos do mundo real — que os Estados Unidos invadiriam a Venezuela e derrubariam Nicolás Maduro.
Os registros públicos do site mostram que a conta fez apenas 13 apostas, todas entre 27 de dezembro e 3 de janeiro, focadas na possibilidade de uma operação militar e na remoção de Maduro do poder. A maior aposta foi feita poucas horas antes de a ação se tornar pública.
Na madrugada de sábado, o Exército dos EUA capturou Maduro e sua esposa e os levou para o país para responder por acusações de narcoterrorismo.
A identidade do apostador é desconhecida. Segundo a empresa Chainalysis, que monitora transações em blockchain, ele já sacou os ganhos em Solana por meio de uma grande exchange americana — sem tentar ocultar os rastros. Caso autoridades investiguem, não deve ser difícil localizá-lo.
Outros usuários também lucraram com apostas semelhantes, embora em valores menores.
O episódio reacende o debate sobre plataformas de “mercados de previsão”, que permitem apostar sobre eleições, guerras, decisões políticas e até eventos improváveis. Críticos alertam que esses mercados podem ser manipulados e facilitar o lucro com informações confidenciais ou até secretas.
Há precedentes: edições em mapas de guerra usados para validar apostas chegaram a influenciar pagamentos na Polymarket. E já houve casos de insiders políticos apostando em disputas nas quais atuavam.
A plataforma opera em um cenário regulatório ainda nebuloso. Após investigações, o órgão regulador americano (CFTC) permitiu sua operação como bolsa nos EUA, e o Congresso discute uma lei para criminalizar explicitamente o uso de informação não pública nesses mercados.
Especialistas afirmam que, embora o uso de informação privilegiada seja geralmente considerado fraude em mercados financeiros tradicionais, a Justiça ainda precisa se posicionar de forma clara sobre apostas desse tipo.
Fonte: NBC

