Um novo critério médico para definir obesidade pode quase dobrar o número de adultos considerados obesos nos Estados Unidos, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (29).
Por décadas, médicos usam o IMC (Índice de Massa Corporal) — cálculo baseado em peso e altura — para avaliar obesidade. Mas pesquisadores de instituições como Harvard, Yale e Beth Israel Deaconess afirmam que o IMC, sozinho, pode subestimar o problema.
Com a inclusão de medidas baseadas na cintura — como circunferência abdominal, relação cintura-quadril e cintura-altura — mais de 75% dos adultos passariam a se enquadrar como obesos, contra cerca de 40% pelo IMC tradicional.
A proposta foi apresentada pela The Lancet Diabetes & Endocrinology Commission e já recebeu apoio de mais de 70 entidades médicas, embora ainda não tenha uso consolidado na prática clínica.
Segundo a cardiologista Erica Spatz, do Yale School of Medicine, o IMC não mede o acúmulo de gordura interna (adiposa), mais associada a pressão alta, diabetes e doenças do coração.
O estudo, publicado no JAMA Network Open, analisou dados de mais de 14 mil participantes do levantamento nacional de saúde dos EUA entre 2017 e 2023. Quase quatro em cada dez adultos com IMC “normal” apresentaram excesso de gordura quando avaliados pelas novas medidas.
Os pesquisadores observaram maior prevalência entre pessoas mais velhas e entre hispânicos. Eles alertam, porém, que como quase todos os adultos acima de 50 anos seriam classificados como obesos pelo novo padrão, podem ser necessários limites específicos por idade — e mais pesquisas antes de adotar amplamente a definição.
Fonte: ABC

