O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que não defenderá na Justiça o programa de bolsas voltado para universidades com pelo menos 25% de estudantes hispânicos, em vigor desde 1998. A decisão foi comunicada ao Congresso pelo procurador-geral D. John Sauer, que classificou o programa como inconstitucional por conceder vantagens com base em raça ou etnia, citando o precedente da Suprema Corte de 2023 que proibiu o uso de ações afirmativas nas admissões universitárias.
A medida fortalece a ação judicial movida pelo estado do Tennessee e pelo grupo conservador Students for Fair Admissions, responsável por derrubar a política de ações afirmativas em Harvard e na Universidade da Carolina do Norte. Eles alegam que universidades do Tennessee são prejudicadas por não atingir o “limite étnico arbitrário” exigido para acesso aos recursos, o que representaria a perda de dezenas de milhões de dólares.
Mais de 500 universidades e faculdades recebem a designação de Hispanic-Serving Institutions (HSIs), concorrendo a parte dos US$ 350 milhões destinados em 2024. As bolsas podem financiar desde reformas estruturais até programas de ciência. Entidades ligadas a HSIs, como a Hispanic Association of Colleges and Universities, pediram para participar diretamente do processo, alegando que o governo não representará seus interesses e defendendo que os fundos ajudam a equilibrar desigualdades históricas.
O governo Trump tem buscado reduzir ou eliminar políticas de diversidade, equidade e inclusão, alegando que discriminam estudantes brancos e asiático-americanos. Apesar disso, o orçamento de 2026 enviado ao Congresso preserva e até amplia levemente os recursos para HSIs, embora especialistas duvidem do compromisso real da administração com o programa.
Fonte: CBS