A tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil pode afetar diretamente torcedores brasileiros durante a Copa do Mundo de 2026, que será realizada em solo norte-americano, além de México e Canadá. Segundo apuração do analista internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, o presidente dos EUA, Donald Trump, estuda a possibilidade de suspender a emissão de vistos para brasileiros durante o período do torneio.
A proposta, considerada uma medida de forte impacto simbólico, seria mais uma forma de Trump pressionar o governo brasileiro atual, influenciando a opinião pública do país. A iniciativa se soma a outras ações recentes, como o aumento expressivo de tarifas sobre produtos brasileiros.
Ainda de acordo com Sant’Anna, a restrição de vistos já começou a ser observada durante a visita de senadores brasileiros a Washington nesta semana. Os parlamentares teriam recebido autorizações com prazos de permanência bastante reduzidos.
A FIFA, que organiza o Mundial, ainda não se manifestou. O presidente da entidade, Gianni Infantino, é considerado um aliado político de Trump — uma relação que se tornou mais evidente durante a Copa do Mundo de Clubes, também sediada pelos EUA.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já está ciente da possibilidade e estuda realizar reuniões com o governo brasileiro para tentar evitar sanções aos torcedores. No entanto, a entidade ainda não se posicionou oficialmente. A promessa é defender os interesses da torcida, especialmente diante do fato de que o Brasil nunca ficou de fora de uma edição da Copa.
O caso remete à situação do Irã, que, mesmo classificado para o Mundial de 2026, tem seus cidadãos proibidos de entrarem nos EUA desde uma proclamação assinada por Trump em 2017, alegando razões de segurança nacional.
Enquanto o presidente da FIFA garante que torcedores internacionais serão bem-vindos, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que todos os visitantes "devem voltar para casa" após os jogos. A possível restrição também levanta preocupações em relação à Olimpíada de 2028, que será realizada em Los Angeles, ainda sob o atual mandato de Trump.
Fonte: CNN