O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira (29) que recursos naturais como café e cacau poderão ser isentos das novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente Donald Trump. A medida, se confirmada, pode beneficiar o Brasil, um dos principais exportadores desses produtos, embora o governo norte-americano ainda não tenha revelado os países que seriam contemplados.
Em entrevista à emissora CNBC News, Lutnick explicou que o governo está avaliando exceções para produtos que não são cultivados nos EUA. “Se você cultiva algo que nós não cultivamos, então isso pode entrar sem tarifa. Café e cacau seriam exemplos”, declarou.
A definição das tarifas deve ser concluída até esta sexta-feira (1º de agosto), conforme o prazo dado por Trump para que países cheguem a acordos comerciais com os EUA. Ontem, o presidente americano afirmou que os países que não receberam notificação oficial da Casa Branca serão taxados com uma alíquota padrão de 15% a 20%.
No caso do Brasil, a situação é mais delicada: o país foi notificado em 9 de julho sobre a aplicação de uma tarifa de 50%. Segundo a carta enviada pela Casa Branca, a decisão se baseia em supostas “práticas comerciais injustas” adotadas pelo Brasil e no que Trump classificou como “perseguição judicial” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu no STF por tentativa de golpe de Estado.
Lutnick também comentou outras negociações em andamento com a União Europeia, que envolvem produtos como aço, alumínio e serviços digitais. Os diálogos fazem parte do acordo preliminar anunciado por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no último domingo.
Paralelamente, continuam as negociações entre os EUA e a China, em reuniões realizadas em Estocolmo, na Suécia. Apesar do contexto geral de novas tarifas, Lutnick destacou que as conversas com Pequim são tratadas como um processo separado, com *prazo final em 12 de agosto* para a conclusão de um possível acordo.
Fonte: Valor Econômico