Em meio à tensão diplomática gerada pelo tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump contra produtos brasileiros, uma comitiva de parlamentares do Brasil iniciou nesta terça-feira (29) uma ofensiva em Washington para tentar abrir um canal de diálogo com integrantes do Partido Republicano.
Segundo relatos obtidos pela CNN, os senadores brasileiros conseguiram agendar reuniões com nomes considerados da ala moderada do partido de Trump. Os encontros estão previstos para acontecer até sexta-feira (1º), data em que as novas tarifas entram oficialmente em vigor. Os nomes dos parlamentares americanos com quem o grupo se reunirá estão sendo mantidos em sigilo para evitar possíveis interferências, especialmente do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e próximo do núcleo trumpista.
De acordo com um dos senadores presentes, o objetivo é “romper a bolha” e tentar influenciar setores com capacidade real de diálogo com a Casa Branca, evitando focar apenas em parlamentares da oposição americana — sem poder de pressionar diretamente Trump.
Ainda na segunda-feira (28), chegou-se a cogitar uma possível conversa com o ex-presidente George W. Bush, que teve boas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seus mandatos anteriores. No entanto, não houve qualquer contato direto com o republicano ou sua equipe até o momento.
Nas reuniões já realizadas, a comitiva tem reforçado argumentos estratégicos para tentar sensibilizar os interlocutores americanos, como o risco do avanço da influência chinesa na América do Sul, o impacto inflacionário que o tarifaço pode gerar nos EUA e a longa tradição de parceria entre os dois países.
O grupo também tenta negociar a exclusão de itens específicos da nova tarifa, como alimentos (laranja, café, carne) e equipamentos da Embraer, em uma tentativa de minimizar os danos ao agronegócio e à indústria brasileira.
Apesar da movimentação diplomática e parlamentar, Trump ainda não deu qualquer sinal de recuo em relação às tarifas. O gesto é visto no Brasil como parte de uma ofensiva política com motivação ideológica, especialmente após o republicano usar como justificativa o tratamento dado pela Justiça brasileira ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: CNN