Desde o início do mandato, o governo Donald Trump retirou — ou colocará em rota de retirada — o status legal temporário de mais de 1,5 milhão de imigrantes, inclusive autorizações de trabalho e proteções contra deportação. Especialistas afirmam que se trata da perda mais rápida de status legal já registrada nos EUA.
As medidas incluem o fim do Temporary Protected Status (TPS) para mais de 1 milhão de pessoas e o encerramento de proteções de parole humanitário para cerca de 500 mil imigrantes. Para pesquisadores e defensores de direitos, a decisão terá efeitos sociais e econômicos profundos — dos empregadores às famílias.
O TPS é concedido a nacionais de países considerados inseguros para retorno, por causa de guerras, violência ou desastres. O programa exige checagens constantes, mas não oferece caminho para a cidadania. Após ampliações durante o governo Biden, a atual administração iniciou cortes acelerados, liderados pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Foram encerradas designações para 11 países — incluindo Afeganistão, Haiti, Venezuela, Nicarágua, Síria e outros —, com prazos que vencem até fevereiro. Em estados como Flórida e Texas, onde há grandes concentrações de beneficiários, setores como construção e saúde devem sentir impactos.
Organizações e imigrantes acionaram a Justiça alegando ilegalidade nas decisões. Parte das ações segue em curso, enquanto a Suprema Corte permitiu que o governo avance com algumas revogações. Advogados alertam que muitos imigrantes, mesmo tentando regularização de longo prazo, enfrentam barreiras legais e risco de deportação.
Para especialistas, o corte simultâneo de milhões em autorizações de trabalho e proteção humanitária é “sem precedentes” — e pode custar bilhões de dólares à economia.
Fonte: BBC

