O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, enviou uma carta ao prefeito de Orange County, Jerry Demings, e aos comissários do condado, exigindo que assinem uma emenda ao acordo com o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas). A medida obrigaria o condado a transportar imigrantes detidos para centros de detenção federal, como o polêmico "Alligator Alcatraz", no sul do estado.
Segundo Uthmeier, ao rejeitar a proposta, o condado estaria adotando uma “política de santuário” e deixando de colaborar com a aplicação da lei federal de imigração. O procurador alertou que, se a emenda não for aprovada imediatamente, as autoridades locais poderão enfrentar punições civis e criminais, além de possível remoção dos cargos pelo governador Ron DeSantis.
A carta gerou forte reação, especialmente entre membros da comunidade imigrante e parte dos próprios comissários. A comissária Nicole Wilson declarou que o acordo seria "cruel, indefensável e moralmente questionável". O tema será discutido formalmente na próxima reunião da comissão, marcada para 5 de agosto.
De janeiro a maio deste ano, 438 pessoas foram detidas em Orange County sob custódia do ICE, mesmo sem acusações estaduais. Entre os casos, estão um homem venezuelano com status de proteção temporária revogado e um beneficiário do DACA que foi enviado a um centro de detenção após resolver uma infração de trânsito.
Apesar disso, o procurador-geral destacou que também houve detenções de pessoas envolvidas em crimes graves, como membros de gangues e motoristas alcoolizados. Para ele, esses casos demonstram o risco que “imigrantes ilegais” representam à comunidade.
Enquanto isso, ações judiciais contra as políticas federais de imigração seguem em andamento, inclusive na Flórida. Advogados denunciam falta de acesso a advogados e detenções sem acusação formal. Em resposta, uma autoridade do Departamento de Segurança Interna afirmou que “nenhum infrator na história da humanidade foi tratado tão bem quanto imigrantes ilegais nos EUA”.
Fonte: Click Orlando