Aos 29 anos, o cuiabano Adrien Lukas Kunz Pommot Maia encontrou nos Estados Unidos uma nova chance de recomeçar. Ex-sargento da Polícia do Exército no Brasil, Adrien chegou ao país determinado a construir uma vida mais estável e promissora. Depois de trabalhar como vendedor de carros e aplicar para o green card por meio do casamento com sua esposa, ele decidiu dar um passo ousado: alistar-se na Marinha dos Estados Unidos.
"Vários motivos me levaram a entrar para o Navy, que me ajuda com várias questões do meu dia a dia", conta. A decisão foi motivada por fatores como estabilidade financeira, benefícios militares e a possibilidade de ajudar sua família no Brasil. Adrien também via na carreira militar uma oportunidade de retomar o vínculo com sua formação no Brasil e, ao mesmo tempo, trilhar um novo caminho — desta vez no setor da aviação, um sonho antigo.
Apesar do entusiasmo, os primeiros desafios foram significativos. O inglês, ainda limitado quando ele chegou ao país, tornou-se uma barreira durante o processo seletivo e os treinamentos. No entanto, Adrien viu no próprio bootcamp — treinamento intensivo das forças armadas — uma experiência transformadora. "Tendo uma boa convivência 100% com os americanos dentro do Bootcamp, desenvolvi um inglês fluente e pude começar a estudar para as provas", relata.
A imersão cultural e linguística foi, segundo ele, essencial para o aprendizado. Embora tenha se sentido deslocado nos primeiros dias, especialmente por conta do vocabulário técnico e das gírias militares, Adrien logo percebeu que estava cercado por pessoas de diferentes origens. "Há muita gente das Filipinas, de Porto Rico… então, apesar da barreira cultural, se você é determinado e corre atrás, acaba tirando de letra!", afirma.
Dentro da Marinha, Adrien teve acesso ao programa de **cidadania acelerada**, que permite a naturalização em cerca de três meses para militares em serviço ativo. "Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo, tudo, tudo, exatamente igual" reflete, orgulhoso do caminho que trilhou.
Para outros brasileiros que sonham em seguir por esse mesmo caminho, ele deixa um alerta importante: "Não faça nada fora da lei, porque isso vai contar bastante no seu processo de aplicação e no seu futuro no país, seja beber e dirigir, ou permanecer fora do status legal de imigração."
Hoje, naturalizado cidadão americano, e trabalhando na base da marinha de Virginia Beach, Virginia, Adrien segue firme em sua trajetória, mirando novas oportunidades dentro da sua área e se aproximando cada vez mais do seu objetivo de atuar na área de aviação. Um exemplo de resiliência, planejamento e coragem — valores que, mais do que nunca, ele carrega no peito.