O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu por cerca de três horas nesta quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca desde o retorno do republicano ao poder.
O encontro incluiu uma reunião reservada, almoço oficial e até um pequeno tour pela área externa da Casa Branca. Após a visita, Trump elogiou Lula publicamente e classificou a conversa como “muito boa”.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano chamou Lula de “dinâmico” e destacou que os dois discutiram temas ligados ao comércio internacional e às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu Trump.
O americano afirmou ainda que representantes dos dois países terão novas reuniões nos próximos meses para tratar de pontos considerados estratégicos na relação bilateral.
Lula chegou à Casa Branca por volta das 12h20 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump na entrada da residência oficial. A delegação brasileira contou com ministros das áreas econômica, energética, diplomática e de segurança pública.
Do lado americano participaram, entre outros, o vice-presidente J.D. Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles, além dos secretários do Comércio e do Tesouro.
Inicialmente, estava prevista uma declaração conjunta à imprensa antes da reunião bilateral, mas a ordem da agenda foi alterada a pedido do governo brasileiro.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela BBC News Brasil, a mudança ocorreu após desconforto de Lula em um encontro anterior com Trump, realizado na Malásia, em 2025, quando perguntas da imprensa antecederam a conversa oficial entre os presidentes.
Desta vez, Lula e Trump conversaram reservadamente por pouco mais de uma hora antes de qualquer contato com jornalistas.
Entre os principais temas debatidos estiveram comércio, tarifas, cooperação em segurança pública, combate ao crime organizado e minerais estratégicos.
Durante a visita, Trump também levou Lula para conhecer parte da área externa da Casa Branca, onde estão expostos retratos de ex-presidentes americanos. Fotografias divulgadas mostram os dois líderes conversando e sorrindo diante das imagens históricas.
Após a reunião, os presidentes participaram de um almoço oficial. O cardápio incluiu salada de alface-romana com laranja e abacate, bife grelhado com purê de feijão-preto e, na sobremesa, pêssegos caramelizados e panna cotta.
A coletiva conjunta prevista para depois do almoço acabou cancelada sem explicação oficial da Casa Branca ou do Palácio do Planalto. Lula deve conceder entrevista posteriormente na embaixada brasileira em Washington.
Do lado brasileiro, uma das principais prioridades era tentar evitar novas tarifas americanas sobre produtos nacionais e ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.
O governo Lula também buscava apresentar propostas de cooperação contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, além de tentar evitar que facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, sejam classificadas pelos EUA como organizações terroristas.
No campo econômico, os Estados Unidos demonstraram interesse em ampliar o acesso a minerais críticos brasileiros, especialmente terras raras, consideradas estratégicas para tecnologia e transição energética.
Analistas apontam, porém, que pode haver divergências nesse tema, já que o governo brasileiro resiste à ideia de fornecer exclusividade aos americanos.
O encontro também ocorre em meio à tentativa dos dois governos de melhorar relações que passaram por momentos de tensão desde 2025, quando Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e criticou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar das trocas de críticas anteriores, Lula e Trump vêm buscando reaproximação desde encontros realizados no fim do ano passado.
Fonte: G1

