Uma operação de resgate liderada pela organização Big Dog Ranch Rescue, com sede na Flórida, pretende encontrar novos lares para cerca de mil beagles retirados de uma instalação de criação e pesquisa em Wisconsin, nos Estados Unidos. A ação ocorre após um acordo confidencial firmado com o Center for a Humane Economy para a compra de 1.500 cães da empresa Ridglan Farms, por um valor não divulgado.
Os primeiros animais começaram a ser retirados na última semana e, segundo os responsáveis pelo resgate, rapidamente demonstraram sinais de confiança e adaptação ao novo ambiente. “Em pouco tempo já buscavam carinho e contato humano. Todos são extremamente dóceis”, afirmou Lauree Simmons, fundadora da Big Dog Ranch Rescue.
A operação ganhou destaque após uma série de protestos no local. Em abril, cerca de mil ativistas tentaram invadir a instalação para resgatar os animais, sendo contidos pela polícia com gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Em março, outro grupo já havia invadido o espaço e retirado 30 cães. Ao todo, 63 pessoas podem enfrentar acusações relacionadas às ações.
Apesar disso, Simmons afirmou que as negociações para a compra dos cães começaram meses antes dos protestos e não têm ligação direta com os atos.
Até o momento, cerca de 300 beagles já foram retirados, e a expectativa é de que o restante seja transferido nos próximos dias. Os animais estão passando por vacinação, microchipagem, castração e adaptação antes de serem encaminhados a abrigos e, posteriormente, adotados. Parte deles já foi levada para Palm Beach, na Flórida.
A organização informou ter recebido mais de 700 pedidos de adoção, mas ressalta que o processo exige cautela para garantir que os cães estejam preparados para viver em ambientes domésticos.
Os beagles são frequentemente utilizados em testes laboratoriais devido ao seu porte pequeno e comportamento dócil. “São animais extremamente confiantes e tranquilos, o que infelizmente os torna alvos comuns para esse tipo de prática”, explicou Simmons, que criticou o uso da raça em pesquisas.
A Ridglan Farms concordou em encerrar sua licença de criação até julho deste ano como parte de um acordo para evitar acusações criminais por maus-tratos. A empresa nega irregularidades, embora investigações apontem procedimentos que violariam padrões veterinários.
Enquanto isso, ativistas entraram com uma ação judicial federal alegando uso excessivo de força por parte da polícia durante os protestos. Já a empresa classificou os manifestantes como um grupo violento que atacou uma instalação licenciada.
Fonte: NBC

