Dois cientistas ligados a um laboratório do governo dos Estados Unidos foram acusados de contrabandear frascos contendo versões desativadas do vírus mpox para o país sem autorização oficial e de mentir às autoridades durante uma inspeção em um aeroporto de Michigan.
A denúncia criminal foi divulgada nesta terça-feira em um tribunal federal de Detroit e envolve Vincent Munster, chefe da seção de ecologia viral do Rocky Mountain Laboratories, em Montana, e o pesquisador Claude Kwe, que trabalha ao lado dele.
Segundo o FBI, os dois foram abordados em janeiro no Aeroporto Metropolitano de Detroit após retornarem de uma viagem de nove dias à República do Congo, na África Central, com conexão em Paris.
Inicialmente, Munster teria negado de forma “veemente” estar transportando qualquer material biológico ou amostras virais. No entanto, exames posteriores revelaram que os cientistas carregavam frascos contendo mpox desativado, sem declarar o material às autoridades alfandegárias e sem possuir as permissões exigidas para entrada nos EUA.
“As tentativas deliberadas de ocultar e contrabandear materiais biológicos para os Estados Unidos sem autorização adequada representam uma quebra da confiança pública e podem ter colocado a população em risco”, afirmou Marcus Sykes, do Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS).
Os dois pesquisadores devem comparecer a um tribunal federal em Missoula, Montana, nesta quarta-feira. Até o momento, eles não comentaram oficialmente as acusações.
O processo não detalha por que os cientistas queriam levar o material ao laboratório americano. Porém, o FBI destacou que ambos atuam diretamente em pesquisas sobre o vírus mpox.
Segundo a investigação, Munster afirmou aos agentes no aeroporto que os documentos necessários estavam em seu laptop e teria dito: “Vocês não precisam disso. Eu faço isso o tempo todo”.
Para os investigadores, a declaração indica que ele pode ter fornecido informações falsas às autoridades alfandegárias.
A mpox, anteriormente conhecida como monkeypox (varíola dos macacos), é uma doença viral que costuma causar febre e lesões na pele, embora em alguns casos possa evoluir para quadros graves. A maioria dos pacientes se recupera completamente.
O vírus ganhou atenção mundial após surtos registrados em dezenas de países a partir de 2022, quando autoridades sanitárias confirmaram que a transmissão também podia ocorrer por contato sexual.
Na República do Congo, um surto da doença esteve associado a mais de 2 mil mortes nos últimos dois anos, embora autoridades tenham declarado o fim oficial da emergência em abril deste ano.
Fonte: ABC

