Um novo relatório sobre desempenho educacional nos Estados Unidos aponta que o país continua enfrentando uma “recessão da leitura” entre estudantes do ensino fundamental e médio, embora alguns estados e distritos escolares estejam conseguindo reverter a tendência negativa.
O estudo foi elaborado por pesquisadores de Harvard, Stanford e Dartmouth, que analisaram resultados de testes aplicados entre o 3º e o 8º ano em mais de 5 mil distritos escolares de 38 estados americanos.
Segundo o levantamento, apenas cinco estados e o Distrito de Columbia registraram crescimento significativo nas notas de leitura entre 2022 e 2025. Nacionalmente, os alunos ainda estão quase meio ano letivo atrás dos níveis de leitura registrados antes da pandemia.
Os pesquisadores afirmam que o problema começou antes da Covid-19. As notas de leitura vêm caindo desde 2013 entre alunos mais velhos e desde 2015 entre estudantes mais novos.
Thomas Kane, professor de Harvard e um dos responsáveis pelo relatório, afirmou que a pandemia apenas agravou uma deterioração que já vinha acontecendo há anos.
“A recessão de aprendizagem começou há uma década, quando os formuladores de políticas abandonaram os sistemas de responsabilização baseados em testes e as redes sociais passaram a dominar a vida das crianças”, disse.
Apesar do cenário preocupante, o relatório destaca exemplos positivos em estados como Louisiana, Maryland, Tennessee, Kentucky e Indiana. Todos adotaram métodos de alfabetização baseados em fonética, conhecidos como “science of reading” (“ciência da leitura”).
A abordagem prioriza o ensino da leitura por meio da associação entre letras e sons, substituindo métodos que incentivavam os alunos a adivinhar palavras pelo contexto.
Além da mudança metodológica, vários estados passaram a identificar precocemente dificuldades de aprendizagem, como dislexia, e ampliaram programas de treinamento para professores.
Na cidade de Modesto, na Califórnia, escolas reformularam completamente o ensino de leitura durante a pandemia. Professores receberam treinamento especializado e o distrito criou equipes dedicadas ao apoio de estudantes que ainda estão aprendendo inglês.
Como resultado, os alunos tiveram ganhos equivalentes a 13 semanas extras de aprendizado em leitura e 18 semanas em matemática.
Detroit também apresentou melhora após investir recursos em reforço escolar e combate à evasão. Parte das mudanças ocorreu após um acordo judicial de US$ 94 milhões firmado em 2016, depois que estudantes processaram o distrito alegando terem sido privados do “direito de aprender a ler”.
O relatório aponta ainda que o Sul dos EUA vem liderando reformas educacionais nos últimos anos. Louisiana se tornou o único estado a superar os níveis pré-pandemia em leitura, enquanto Louisiana e Alabama foram os únicos a registrar notas de matemática superiores às de antes da Covid-19.
Os pesquisadores defendem que os avanços demonstram que a recuperação educacional é possível em larga escala, desde que haja investimento contínuo em métodos de ensino comprovados e apoio aos estudantes.
Fonte: CBS

