Pelo menos 10 funcionários do FBI que trabalharam na investigação sobre a retenção de documentos confidenciais pelo presidente Donald Trump após deixar a Casa Branca, em 2021, foram demitidos na quarta-feira, segundo múltiplas fontes ouvidas pela CBS News.
As demissões ocorreram após a agência Reuters informar que o FBI havia intimado registros telefônicos do atual diretor do FBI, Kash Patel, e da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, quando ambos ainda eram cidadãos privados. As intimações teriam sido feitas no âmbito da investigação conduzida pelo então promotor especial Jack Smith.
Em declaração citada pela Reuters, Patel acusou o FBI de ter solicitado secretamente seus registros telefônicos “com pretextos frágeis” e de ter ocultado o processo em arquivos restritos para evitar supervisão. A agência de notícias afirmou não ter conseguido verificar de forma independente as alegações. Patel não apresentou provas de irregularidades cometidas pelos funcionários que foram demitidos.
Jack Smith comandou duas investigações federais contra Trump: uma sobre a tentativa de reverter o resultado das eleições presidenciais de 2020 e outra sobre a retenção de documentos classificados e suposta obstrução às tentativas do Departamento de Justiça de recuperá-los.
Todos os agentes e analistas desligados nesta quarta-feira atuaram no caso dos documentos confidenciais. A CBS News confirmou, com fonte próxima ao assunto, que os registros telefônicos de Susie Wiles foram analisados no âmbito dessa investigação, mas não conseguiu confirmar se os de Patel também foram. No caso relacionado às eleições de 2020, conhecido como “Arctic Frost”, os registros de Patel não teriam sido intimados.
A Associação de Agentes do FBI criticou as demissões, afirmando que elas violam o direito ao devido processo legal dos funcionários. Segundo a entidade, as medidas enfraquecem a agência ao retirar profissionais experientes e abalar a confiança interna, prejudicando inclusive metas de recrutamento.
As investigações conduzidas por Smith resultaram nas primeiras acusações criminais federais contra um ex-presidente na história dos Estados Unidos. No entanto, as acusações relacionadas aos documentos classificados foram arquivadas por uma juíza federal na Flórida em meados de 2024, sob o argumento de que Smith teria sido nomeado de forma irregular. Já o caso sobre as eleições de 2020 foi abandonado após a vitória de Trump na disputa presidencial de 2024.
Desde então, o governo Trump tem adotado medidas contra funcionários federais que atuaram nas investigações. O Departamento de Justiça demitiu promotores ligados à equipe de Smith, e o FBI dispensou agentes envolvidos na apuração sobre as eleições.
No ano passado, o Comitê Judiciário do Senado, liderado por republicanos, revelou que o FBI também obteve registros telefônicos de parlamentares republicanos como parte da investigação “Arctic Frost”. Os dados incluíam informações básicas sobre chamadas feitas nos dias que antecederam a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, mas não o conteúdo das conversas.
Em outubro, Trump defendeu que Smith, o ex-procurador-geral Merrick Garland, o ex-diretor do FBI Christopher Wray e outros envolvidos fossem processados por conduta “ilegal e altamente antiética”. Advogados de Smith afirmaram que suas ações foram “totalmente legais, apropriadas e consistentes com a política estabelecida do Departamento de Justiça”.
Fonte: CBS

