Cada vez mais empresas estão mencionando a inteligência artificial como um dos motivos para cortes de pessoal. Casos recentes como os da Pinterest e da Dow ilustram uma tendência crescente: enquanto ampliam investimentos em IA, companhias reduzem suas folhas de pagamento.
Embora economistas ainda relativizem o impacto geral da IA generativa no mercado de trabalho dos Estados Unidos, o cenário é diferente para trabalhadores que perderam seus empregos com justificativas ligadas à adoção da tecnologia.
De acordo com a consultoria Challenger, Gray & Christmas, em 2025 as empresas atribuíram diretamente à IA cerca de 55 mil demissões — número mais de 12 vezes superior ao registrado dois anos antes. Desse total, 51 mil cortes ocorreram no setor de tecnologia, concentrados principalmente em estados como Califórnia e Washington.
Após anos investindo pesado em IA para aumentar eficiência e produtividade, empresas agora enfrentam pressão para demonstrar resultados concretos. “Isso significa substituir empregos por inteligência artificial”, afirmou um executivo da Challenger à CBS News.
A Amazon está entre as gigantes que seguem esse caminho. Em 2025, o CEO Andy Jassy afirmou em um memorando que a empresa deverá reduzir cargos administrativos à medida que investe em “agentes de IA” para ganhar eficiência. Embora a companhia tenha anunciado 16 mil demissões em janeiro, não citou oficialmente a IA no comunicado aos funcionários.
Já a Pinterest foi mais direta, afirmando que os cortes visam redirecionar recursos para ampliar suas capacidades em inteligência artificial.
Outras empresas têm feito movimentos semelhantes, ainda que nem sempre mencionem explicitamente a IA, destacando maior uso de automação e tecnologia.
IA como justificativa?
Alguns economistas sugerem que a inteligência artificial pode estar sendo usada como justificativa para cortes que teriam outras razões, como contratações excessivas no passado.
Ben May, da Oxford Economics, avalia que muitas empresas podem estar “maquiando” demissões como algo positivo, apontando inovação tecnológica em vez de erros de planejamento.
Para Lisa Simon, economista-chefe da Revelio Labs, a IA tem impactado mais as contratações do que as demissões. Segundo ela, empresas perceberam que conseguem produzir mais com menos funcionários, reduzindo novas vagas.
Mesmo assim, a tendência é que mais anúncios de demissões associadas à IA ocorram nos próximos meses.
Empresas que citaram IA ao anunciar cortes
Entre as companhias que mencionaram a inteligência artificial ao anunciar demissões estão:
- Pinterest: corte de 15% da força de trabalho para priorizar estratégia voltada à IA.
- Dow: eliminação de 4.500 empregos com ampliação de automação e IA.
- Indeed e Glassdoor: cerca de 1.300 demissões com foco na adaptação ao novo cenário tecnológico.
- Chegg: redução de 45% do quadro de funcionários diante das “novas realidades da IA”.
- CrowdStrike: corte de 500 posições com foco na reestruturação impulsionada por IA.
- HP: redução prevista de até 6 mil postos de trabalho para elevar produtividade com IA.
- Workday: demissão de 1.750 funcionários em reestruturação associada ao crescimento da demanda por IA.
Fonte: CBS

