Uma juíza federal em Chicago decidiu impedir que promotores apresentem ao júri supostas evidências de ligação com gangues no julgamento de um homem acusado de oferecer recompensa pela morte de Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (CBP). A decisão foi proferida nesta quinta-feira (data local), poucos dias antes do início do julgamento.
O réu, Juan Espinoza Martinez, de 37 anos, foi descrito inicialmente pelo governo como um “membro de alto escalão” da gangue Latin Kings, com autoridade para ordenar crimes violentos, incluindo assassinatos. No entanto, a juíza distrital Joan Lefkow acatou um pedido da defesa para barrar qualquer menção a vínculos ou afinidade com gangues, alegando que a promotoria não apresentou provas concretas para sustentar essas alegações.
“Sem evidências de que o réu seja membro da Latin Kings ou de que a gangue tenha instruído o envio das informações do suposto crime por encomenda, esse tipo de testemunho seria prejudicial”, escreveu Lefkow na decisão. Espinoza Martinez se declarou inocente e nega qualquer envolvimento com a gangue.
Ele será julgado no primeiro grande caso federal ligado à chamada “Operação Midway Blitz”, ação de fiscalização migratória conduzida pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) em Chicago. Segundo a acusação, Martinez teria oferecido US$ 10 mil para que Bovino fosse morto, com base em mensagens enviadas via Snapchat a um informante confidencial.
Com a proximidade do julgamento, os promotores recuaram da tese de que Martinez seria líder da gangue, afirmando apenas que ele teria “afinidade” com o grupo. A defesa classificou as provas como frágeis e alertou para o risco de influenciar indevidamente os jurados.
A juíza também negou um pedido para que a principal testemunha do governo depusesse de forma anônima, considerando insuficiente a alegação de ameaça. O julgamento está previsto para começar na próxima semana.
Fonte: ABC

