O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo pretende continuar “administrando” a Venezuela e explorando o petróleo do país latino-americano por “muitos anos”. A declaração foi feita em entrevista ao jornal *The New York Times*, publicada nesta quinta-feira (8).
Segundo Trump, o governo interino venezuelano, atualmente liderado pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, estaria cooperando plenamente com Washington. “Eles estão nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”, afirmou o presidente americano. Questionado sobre quanto tempo essa ingerência dos EUA deve durar, Trump respondeu: “Só o tempo vai dizer”.
Na entrevista, o republicano descreveu o plano como uma “reconstrução lucrativa” da Venezuela. De acordo com ele, os Estados Unidos pretendem usar o petróleo venezuelano tanto para abastecer o mercado interno quanto para reduzir os preços globais da commodity. “Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, importar petróleo, baixar os preços e dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, disse.
Trump evitou responder por que optou por apoiar Delcy Rodríguez como presidente interina, em vez de incentivar que a oposição venezuelana assumisse o poder após a queda de Maduro.
Bastidores da entrevista ao *New York Times*
De acordo com o jornal, a entrevista foi ampla e abordou diversos temas sensíveis, como a política migratória dos EUA, o interesse de Trump em adquirir a Groenlândia, divisões internas no movimento Maga, sua saúde e até a aplicação do direito internacional ao seu governo.
Durante a conversa, Trump foi informado da morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, uma moradora de Minneapolis baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Segundo o *NYT*, o presidente assistiu ao vídeo do incidente no Salão Oval, diante dos repórteres.
Embora tenha afirmado que “não quer ver ninguém sendo baleado”, Trump acusou a vítima de tentar atropelar um policial — versão contestada pelos jornalistas presentes, que disseram que o vídeo não mostrava essa ação. O caso provocou protestos em várias cidades e reacendeu críticas à atuação do ICE e às políticas migratórias do segundo mandato de Trump.
Os repórteres também presenciaram uma ligação telefônica entre Trump e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após semanas de tensões diplomáticas. O conteúdo da conversa não foi divulgado, mas Trump afirmou posteriormente que o diálogo foi produtivo e que convidou Petro para visitar a Casa Branca.
Saída dos EUA de organismos internacionais
A entrevista ocorre um dia após Trump assinar uma proclamação determinando a retirada dos Estados Unidos de 35 organizações internacionais não vinculadas à ONU e de outras 31 entidades do sistema das Nações Unidas.
Segundo a Casa Branca, os organismos “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”. A maioria atua em áreas como clima, direitos humanos, trabalho e diversidade — pautas que o governo Trump classifica como “woke”.
Entre as entidades afetadas estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Especialistas avaliam que a decisão consolida uma abordagem unilateral dos EUA em relação ao multilateralismo. “É uma visão de cooperação internacional nos termos de Washington: ou do meu jeito ou nada feito”, afirmou Daniel Forti, do International Crisis Group.
Fonte: G1

