Viajar de avião está ficando mais caro e menos previsível em todo o mundo. A alta e a volatilidade dos preços do petróleo e do combustível de aviação, intensificadas pela guerra no Oriente Médio, estão obrigando companhias aéreas a reajustar tarifas, cortar voos e rever estratégias.
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, tem sido um dos focos de tensão, afetando diretamente o abastecimento e elevando os custos operacionais das empresas. O preço do combustível de aviação chegou a mais que dobrar desde o início do conflito, segundo dados do setor.
Diante desse cenário, companhias como Delta, United, JetBlue e Southwest já aumentaram taxas — especialmente as de bagagem — e passaram a incorporar custos extras nas passagens. Algumas também estão reduzindo voos, principalmente em rotas menos lucrativas ou em dias de menor demanda.
A United Airlines, por exemplo, anunciou cortes de cerca de 5% em sua malha aérea, enquanto a Delta reduziu a oferta de assentos para o verão. Globalmente, a oferta de voos em abril caiu cerca de 5%, segundo estimativas do banco BNP Paribas.
Além do impacto no bolso, a instabilidade também afeta o planejamento dos viajantes. Mesmo quando o preço do petróleo recua, os efeitos não são imediatos nas passagens, já que as companhias levam meses — ou até um ano — para ajustar tarifas.
Especialistas afirmam que passageiros mais sensíveis a preço, como clientes de companhias low cost, devem sentir o impacto primeiro. No entanto, nem mesmo viajantes de classes premium estão imunes a aumentos e à redução de opções.
Em alguns mercados internacionais, as altas já são expressivas. A Cathay Pacific elevou sobretaxas de combustível em cerca de 34%, enquanto a Air India adicionou até US$ 280 em taxas em determinadas rotas.
Para muitos passageiros, o aumento já está mudando hábitos. Viagens estão sendo adiadas, encurtadas ou substituídas por alternativas mais próximas.
Fonte: ABC

