Estabelecer limites rígidos de tempo de tela para crianças já não é suficiente para protegê-las dos impactos do mundo digital sobre sono, aprendizado e saúde mental, segundo novas diretrizes divulgadas pela Academia Americana de Pediatria (AAP). O documento se baseia em centenas de estudos publicados ao longo dos últimos 20 anos e marca uma mudança importante na forma como especialistas avaliam o uso de mídias digitais na infância.
De acordo com a AAP, apenas restringir o acesso a dispositivos pode até gerar efeito contrário, sem enfrentar o verdadeiro problema: o design das plataformas digitais, muitas vezes criado para maximizar engajamento. Recursos como rolagem infinita, reprodução automática, notificações constantes e algoritmos que priorizam conteúdos extremos podem prejudicar o sono, a atenção, o desempenho escolar e a regulação emocional das crianças.
O relatório diferencia o uso digital de baixa qualidade — como consumo passivo e excessivamente estimulante — de conteúdos de alta qualidade, que podem ter caráter educativo, criativo ou social e evitar práticas manipulativas. As novas recomendações incentivam os pais a serem mais seletivos com aplicativos e sites e, sempre que possível, a compartilhar o uso das telas com os filhos, transformando esse momento em uma oportunidade de diálogo.
Além das famílias, a AAP defende maior responsabilidade de empresas de tecnologia e formuladores de políticas públicas, com medidas como restrição de publicidade direcionada a menores, mais transparência dos algoritmos, reforço da privacidade e padrões de segurança mais rígidos. O relatório também sugere investir em alternativas offline, como parques, bibliotecas e atividades comunitárias.
Fonte: ABC

