O secretário do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Markwayne Mullin, afirmou que o governo federal não possui planos imediatos para fechar o centro de detenção de imigrantes conhecido como “Alligator Alcatraz”, localizado na região dos Everglades, na Flórida.
Em entrevista à CBS News, Mullin reconheceu que a instalação, construída com estruturas temporárias e flexíveis, apresenta vulnerabilidades relacionadas a desastres naturais, como incêndios florestais e furacões, mas disse que o local continua sendo considerado estratégico para o sistema de imigração do país.
“Não anunciamos que vamos fechar a instalação”, declarou o secretário. “Sabemos que existem vulnerabilidades. Há incêndios a menos de 20 milhas dali e a Flórida é bastante suscetível a furacões.”
As declarações acontecem após relatos de que empresas contratadas pelo estado da Flórida para operar o centro teriam sido notificadas sobre um possível encerramento gradual das atividades. Segundo fontes ouvidas pela CBS News Miami, os cerca de 1.400 detentos restantes poderiam ser transferidos nas próximas semanas, com previsão de saída do último imigrante ainda em junho.
Os custos operacionais da instalação já estariam se aproximando de US$ 1 bilhão, segundo estimativas divulgadas pela emissora.
Apesar disso, Mullin afirmou que o DHS possui apenas planos de contingência para situações de emergência climática, sem intenção de encerrar permanentemente o centro.
“Temos planos para remover os detidos em caso de incêndio ou furacão, mas ainda precisamos dessa capacidade para momentos de grande fluxo migratório”, afirmou.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, também comentou o assunto nesta semana e disse que o estado ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial do governo federal sobre o futuro da instalação.
O centro de detenção foi inaugurado no ano passado em uma antiga pista de pouso abandonada nos Everglades. O governo Trump apresentou o projeto como uma alternativa de baixo custo para ampliar a capacidade de detenção de imigrantes durante o aumento das operações de deportação e fiscalização migratória.
No entanto, organizações de direitos humanos criticam as condições do local, enquanto grupos ambientais e uma tribo indígena entraram com ações judiciais questionando os impactos da instalação na região.
Durante a entrevista, Mullin também afirmou que o DHS pretende mudar sua estratégia para ampliar a capacidade de detenção no país. Em vez de depender apenas de galpões adaptados, o governo pretende utilizar prisões municipais e instalações estaduais desativadas que possam ser reformadas rapidamente.
Segundo o secretário, muitos estados têm dificultado o uso de centros de detenção já existentes, obrigando o governo federal a buscar novas alternativas.
“Estamos analisando prisões de condados e instalações fechadas por falta de verba para manutenção. Podemos comprá-las, reformá-las e disponibilizar vagas mais rapidamente”, explicou.
Mullin argumentou que transformar galpões em centros de detenção exige licenças, infraestrutura e obras complexas que podem levar até dois anos para serem concluídas.
O secretário também confirmou mudanças temporárias na liderança do ICE, agência responsável pela imigração e fiscalização alfandegária dos Estados Unidos. O atual diretor interino, Todd Lyons, deixará o cargo no fim do mês, e David Venturello deve assumir temporariamente a função até que um diretor permanente seja nomeado.
Além das questões migratórias, Mullin admitiu que o DHS acumula dívidas bilionárias com outros órgãos federais após um shutdown de 76 dias do governo americano. Segundo ele, departamentos como Defesa, Interior e Estado ajudaram a manter operações essenciais funcionando durante o período de paralisação.
O secretário afirmou ainda que a Guarda Costeira dos EUA enfrentou dificuldades operacionais devido ao atraso no pagamento de combustível, energia elétrica e outros serviços básicos.
Fonte: CBS

