Pouco mais de um ano após Donald Trump anunciar um plano ambicioso para transformar a base militar de Guantánamo Bay, em Cuba, em um grande centro de detenção para imigrantes, a estrutura opera muito abaixo da capacidade prometida. Segundo documentos internos do governo obtidos pela CBS News, apenas seis imigrantes estavam detidos no local em 11 de maio deste ano — todos haitianos.
Quando retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump afirmou que a base teria espaço para receber até 30 mil pessoas aguardando deportação como parte de sua política de combate à imigração ilegal. No entanto, os documentos mostram que a capacidade real do local é de aproximadamente 400 vagas, e menos de 2% delas estavam ocupadas no início deste mês.
Mesmo com baixa utilização, a operação já gerou altos custos. Informações repassadas ao Congresso indicam que o Departamento de Defesa projeta gastos de US$ 73 milhões apenas para manter a estrutura de detenção migratória em funcionamento. O valor supera estimativas anteriores, que giravam em torno de US$ 40 milhões.
Os dados também apontam um número elevado de funcionários em relação aos detidos. Atualmente, mais de 580 servidores — incluindo militares, agentes do ICE e outros funcionários federais — estão ligados à operação, criando uma proporção de cerca de 100 funcionários para cada imigrante preso.
Desde o início do programa, 832 imigrantes foram transferidos para Guantánamo em mais de 100 voos, segundo os registros obtidos pela emissora americana.
A iniciativa enfrenta críticas e questionamentos judiciais. Organizações de direitos civis afirmam que o uso de Guantánamo para deter imigrantes é ilegal e tem caráter “punitivo”. Em dezembro de 2025, um juiz federal em Washington classificou preliminarmente a prática como “provavelmente ilegal”, embora não tenha suspendido as operações.
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que move uma ação contra o governo, acusa Trump de usar a base como ferramenta de intimidação política. “O uso de Guantánamo não passa de teatro político”, afirmou o advogado Lee Gelernt.
Especialistas também questionam a viabilidade financeira da operação. Segundo Theresa Cardinal Brown, ex-funcionária do Departamento de Segurança Interna dos EUA, os custos logísticos são extremamente altos porque todos os suprimentos precisam ser enviados diretamente dos Estados Unidos para a base militar em Cuba.
Apesar das críticas, o Departamento de Segurança Interna defendeu a política. Em nota, a porta-voz Lauren Bis afirmou que imigrantes que entram ilegalmente no país podem acabar enviados para Guantánamo, para prisões em outros países ou deportados.
A base de Guantánamo já ficou conhecida internacionalmente após os ataques de 11 de setembro de 2001, quando passou a abrigar suspeitos de terrorismo em meio a denúncias de tortura e violações de direitos humanos.
Fonte: CBS

