O comandante Greg Bovino, figura central nas operações de fiscalização migratória dos Estados Unidos, deve se aposentar até o fim deste mês, segundo fontes ouvidas pela ABC News. A saída ocorre após um período marcado por controvérsias e críticas à condução de suas ações.
Bovino atuava como comandante-at-large da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), liderando cerca de 200 agentes em operações de alto perfil em cidades como Los Angeles, Chicago, Charlotte, Nova Orleans e Minneapolis.
No entanto, ele foi afastado dessa função no início deste ano após dois episódios envolvendo mortes de cidadãos americanos durante ações com participação de agentes federais em Minneapolis. O caso gerou forte reação e levou o governo federal a enviar o chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, para tentar reduzir tensões entre autoridades locais e o Departamento de Segurança Interna (DHS).
Apesar das informações sobre a aposentadoria, o DHS afirmou que Bovino ainda não formalizou o pedido.
Antes de assumir o posto nacional, Bovino chefiou o setor de El Centro, na Califórnia, e era considerado próximo de lideranças políticas influentes, como a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e o assessor Corey Lewandowski.
Reportagens indicam que ele teria, em alguns momentos, se reportado diretamente a essas lideranças, contornando a cadeia tradicional de comando da agência.
A atuação de Bovino também gerou críticas de especialistas e representantes ligados à política migratória. RJ Hauman, presidente do National Immigration Center for Enforcement, criticou duramente sua gestão, classificando as operações como mais midiáticas do que eficazes.
Segundo ele, ações como a “Operation Midway Blitz”, realizada em Chicago, priorizaram visibilidade pública em vez de estratégias mais discretas e eficientes de fiscalização.
Autoridades locais também entraram em conflito com Bovino. O governador de Illinois, JB Pritzker, afirmou que o ex-comandante deverá ser responsabilizado por suas ações e declarou que “ninguém está acima da lei”.
Internamente, fontes apontam que Bovino enfrentou resistência de membros de carreira da própria CBP e de agentes do ICE, que criticavam sua forma de conduzir operações.
A possível aposentadoria encerra um capítulo controverso na política de imigração recente dos Estados Unidos, marcado por disputas políticas, questionamentos operacionais e forte exposição pública.
Fonte: ABC

