Líderes religiosos de diferentes tradições estão pressionando por maior acesso a centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos, especialmente durante os períodos sagrados da Quaresma cristã e do Ramadã muçulmano. Segundo eles, oferecer apoio espiritual a migrantes detidos tornou-se mais difícil nos últimos meses, à medida que cresce o número de pessoas sob custódia das autoridades de imigração.
Após celebrar uma missa de Quarta-feira de Cinzas com quatro migrantes recém-chegados em um centro de detenção próximo a Chicago, religiosos passaram a negociar com autoridades de imigração para estabelecer visitas regulares.
Situação semelhante ocorreu no Texas, onde a capelã muçulmana Nosayba Mahmoud conseguiu visitar duas mulheres mantidas há meses em um centro de detenção na região de Dallas-Fort Worth no início do Ramadã. Durante a visita, ela levou tâmaras para a quebra do jejum e exemplares do Alcorão, mas afirmou que o acesso só foi possível após meses de negociações com as autoridades.
Em alguns casos, religiosos tiveram que recorrer à Justiça para conseguir entrar nos centros. Um grupo católico obteve autorização para visitar o centro de detenção de Broadview, nos arredores de Chicago, apenas após uma decisão judicial, em um dos dois processos recentes movidos por líderes religiosos que alegam restrições ao exercício da liberdade religiosa.
O aumento da tensão ocorre em um contexto de expansão da política de imigração do governo federal. Desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, o número de pessoas detidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) aumentou de cerca de 40 mil para até 75 mil, distribuídas em mais de 225 centros de detenção pelo país.
Embora o governo afirme que a política visa principalmente imigrantes considerados perigosos, dados do Deportation Data Project indicam que a proporção de detidos com antecedentes criminais tem diminuído gradualmente.
Organizações religiosas afirmam que a presença de líderes espirituais é essencial para oferecer apoio emocional e religioso a migrantes que muitas vezes estão isolados de familiares e comunidades. Em muitos casos, religiosos são o único contato externo que os detidos têm.
Apesar de a política do ICE prever capelães e espaços para serviços religiosos em centros que mantêm detidos por mais de 72 horas, a agência exige aviso prévio e verificações de segurança para permitir visitas de religiosos e voluntários.
Líderes religiosos também pedem regras mais claras e acesso consistente. Em carta enviada ao Congresso na semana passada, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos solicitou diretrizes uniformes que garantam assistência pastoral para todos os migrantes detidos.
Mesmo diante das restrições, muitos religiosos afirmam que continuarão tentando visitar os centros, argumentando que a presença espiritual ajuda a preservar a dignidade e a humanidade dos migrantes em detenção.
Fonte: ABC

