Chamadas de emergência feitas nos últimos meses a partir do South Texas Family Residential Center, centro de detenção para famílias imigrantes administrado pelo ICE em Dilley, no Texas, revelam uma série de ocorrências médicas envolvendo bebês, crianças pequenas e mulheres grávidas. As gravações, obtidas pela ABC News e datadas entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, têm intensificado preocupações de defensores dos imigrantes sobre as condições na unidade.
Nos áudios do 911, funcionários médicos solicitam ambulâncias para atender detentos com convulsões, desmaios e dificuldades respiratórias. Em uma ligação de janeiro, um funcionário pede socorro para uma criança de 17 meses em sofrimento respiratório. Outras chamadas relatam um menino de 6 anos com febre alta e letargia, um bebê de 14 meses com dificuldade para respirar e uma criança de 22 meses com febre e baixos níveis de oxigênio.
As gravações também mencionam emergências envolvendo gestantes, incluindo uma mulher grávida de três meses que perdeu a consciência e outra que sofreu uma convulsão.
Advogados, profissionais de saúde e parlamentares têm questionado as condições no local. O deputado federal Joaquin Castro afirmou recentemente ter se preocupado com a situação de um bebê de dois meses detido na unidade. Após suas declarações, funcionários do centro acionaram autoridades locais para solicitar uma verificação de bem-estar da criança.
Famílias detidas também relatam falhas no atendimento médico. Um casal afirmou à ABC News que a filha de um ano contraiu Covid-19 e RSV durante 60 dias de detenção e que os sintomas teriam sido minimizados pela equipe médica.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelos centros de detenção, contestou as acusações. Em nota, afirmou que os detentos têm acesso contínuo a médicos, pediatras, enfermeiros e profissionais de saúde mental, garantindo atendimento adequado.
Segundo o grupo de defesa RAICES, cerca de 1.400 pessoas estavam detidas em Dilley no mês passado. A unidade havia sido fechada durante o governo Biden e reaberta no ano passado com o endurecimento das políticas migratórias.
A pediatra Anita Patel, que pediu a libertação das crianças detidas, classificou a situação como uma “catástrofe de direitos humanos”, afirmando que as famílias não estariam recebendo o padrão adequado de atendimento médico e assistência básica.
Fonte: ABC

