Autoridades estaduais e federais dos Estados Unidos investigam as circunstâncias da prisão do mexicano Alberto Castañeda Mondragón, que sofreu oito fraturas no crânio e precisou ser internado na UTI de um hospital em Minneapolis após ser detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), no dia 8 de janeiro.
Investigadores da polícia de St. Paul e do FBI estiveram na semana passada no estacionamento de um centro comercial onde, segundo Castañeda Mondragón, agentes o retiraram de um veículo, o jogaram no chão e o agrediram repetidamente na cabeça com um cassetete de metal.
O ICE, no entanto, atribui os ferimentos ao próprio imigrante. De acordo com a agência, ele teria tentado fugir mesmo algemado, corrido em direção a uma rodovia e caído, batendo a cabeça contra uma parede de concreto.
Profissionais do hospital que atenderam o mexicano afirmaram à agência Associated Press que uma queda nessas circunstâncias não explicaria a gravidade das lesões, que incluíram hemorragia cerebral e perda de memória. Uma tomografia apontou fraturas na parte frontal, traseira e em ambos os lados do crânio — padrão que, segundo um médico ouvido pela AP, é incompatível com uma simples queda.
Contradições e falta de imagens
Em entrevista publicada pela AP, Castañeda Mondragón afirmou que os agentes foram “racistas” e que começaram a agredi-lo assim que efetuaram a prisão. Seus advogados sustentam que ele foi alvo de discriminação racial.
Na última semana, investigadores solicitaram imagens de câmeras de segurança de ao menos dois estabelecimentos próximos ao local da abordagem. Funcionários relataram que as câmeras não registraram o momento da prisão ou que as gravações já haviam sido apagadas automaticamente após 30 dias, antes de a polícia solicitar o material.
O Departamento de Polícia de St. Paul e o FBI não comentaram o andamento das investigações.
O caso ocorre em meio a outras apurações envolvendo agentes federais de imigração em Minnesota, incluindo uma investigação sobre possível falso testemunho em outro episódio e uma apuração de direitos civis relacionada à morte de um homem baleado por agentes.
Apesar de inicialmente evitar comentar o caso, o Departamento de Segurança Interna reiterou que o imigrante se feriu ao tentar escapar. No entanto, um documento judicial apresentado pelo próprio ICE indica que a agência só confirmou que Castañeda Mondragón havia ultrapassado o prazo do visto de trabalho após ele já estar sob custódia — o que contradiz a versão de que ele era alvo prévio de deportação.
A investigação pode ser dificultada pelo tempo decorrido até o início formal da apuração. A polícia informou que só pôde colher o depoimento da vítima semanas depois, devido à hospitalização e a incertezas sobre sua situação migratória. O relato foi registrado no consulado do México.
Castañeda Mondragón foi convocado a comparecer a um centro de detenção do ICE em 23 de fevereiro, o que pode resultar em nova detenção e eventual deportação.
Fonte: CBS

