Anitta e a criação de Equilibrivm II
Anitta lançou o álbum Equilibrivm II, oitavo de sua carreira, reunindo 17 faixas que combinam atabaques, agogôs, sanfonas, funk e outras sonoridades ligadas às religiões afro-brasileiras, à música popular e aos ritmos urbanos. A proposta do disco vai além da estética: ela afirmou que o trabalho nasce de experiências pessoais relacionadas à fé, à ancestralidade e à busca por equilíbrio.
Durante uma edição especial do programa Sem Censura, da TV Brasil, a cantora explicou que essa conexão com o sagrado acompanha sua vida desde a infância e influenciou diferentes fases de sua trajetória artística. Segundo ela, o novo projeto traduz um momento de reflexão e reorganização interna, algo que também aparece nas falas escritas durante um retiro espiritual.
Fé, família e exposição pública
Anitta contou que é devota do candomblé e filha de Logunedé, orixá associado à beleza, à riqueza e à inteligência. Ela lembrou que frequentava igreja com a mãe aos 8 anos, enquanto também acompanhava o pai, ligado à umbanda e mais tarde tornado pai de santo no candomblé. Essa convivência com diferentes práticas religiosas ajudou a formar sua visão sobre espiritualidade.
A artista também relembrou o período em que passou a ser cobrada por não se posicionar politicamente. Na época, disse que vivia um processo de reclusão religiosa e evitava falar sobre sua fé por receio de prejuízos profissionais. Para ela, assumir publicamente essa ligação com o candomblé foi um passo importante em sua trajetória pessoal e artística.
O desgaste da rotina e a busca por equilíbrio
Ao falar sobre sua carreira internacional, Anitta afirmou que viveu um período de intenso desgaste físico. Com viagens constantes e poucas pausas, ela contou que chegava a dormir parte da semana em aviões e que o corpo começou a reagir mal à rotina exaustiva. Segundo a cantora, o excesso de trabalho afetou sua capacidade de recuperação e provocou inflamações.
Foi nesse contexto que ela procurou a terapeuta Max Tovar há cerca de quatro anos e participou de um retiro no qual escreveu parte das falas presentes no novo álbum. Para Anitta, o processo de cuidado com a saúde e com o emocional ajudou a orientar a nova fase de sua obra, mais conectada ao autoconhecimento e à reflexão.
Carmen Miranda como referência artística
Outro ponto abordado no programa foi a influência de Carmen Miranda em sua carreira. Anitta disse ter ficado impressionada ao ler um livro sobre a artista e perceber semelhanças de personalidade entre as duas, especialmente na forma de lidar com a fama e com a imagem pública. Para ela, diferenças entre as trajetórias se explicam pelo contexto histórico de cada época.
Ao ver um trecho de Carmen Miranda dançando no Sem Censura, Anitta comentou sobre o final trágico da cantora e disse que sente vontade de mudar essa imagem de encerramento. A reflexão se liga também aos limites físicos impostos à rotina de artistas com grande exposição, um tema que atravessa sua fala ao longo da entrevista.
Convidados e debate no Sem Censura
A edição especial do programa foi apresentada por Cissa Guimarães e contou com a participação de Nídia Aranha, diretora criativa de Equilibrivm II, do babalorixá e antropólogo Rodney William, do jornalista e empresário Hugo Gloss e da debatedora Luana Xavier. O debate ampliou as discussões sobre espiritualidade, identidade, carreira e saúde emocional presentes no novo trabalho de Anitta.

