As produções da Orquestra Ouro Preto (OOP) com a música popular brasileira ganharam mais um capítulo com a união do grupo mineiro com o cantor e compositor Carlinhos Brown. O resultado é o lançamento de dois volumes do álbum Afrossinfonicidade. O primeiro já está disponível nas plataformas digitais e o segundo poderá ser ouvido a partir de 26 de junho
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O maestro Rodrigo Toffolo afirmou que este é um encontro afro sinfônico de verdade por juntar a linguagem sinfônica à percussão dos meninos que nasceram e foram criados com Brown na comunidade do Candeal Pequeno de Brotas, localidade de Salvador, mais conhecida como Candeal. Foi lá que Brown criou o grupo de percussão Timbalada.
Quando você pega esses músicos e bota em uma orquestra, eles criam uma percussão, uma base e se juntam à música orquestral, disse um empolgado Toffolo em entrevista à
Agência Brasil.
Conforme o maestro, Brown é um manancial de muita coisa e quem conhece a região e anda ali com ele, entende muito bem como Brown consegue emanar tanta coisa boa na comunidade.
Acho que o mais importante são as possibilidades de encontros. Os encontros são fundamentais. O encontro na música é isso: propor caminhos e novas imagens, novas paisagens musicais, completou.O nome do álbum, que foi gravado ao vivo, no dia 18 de outubro de 2025, na Concha Acústica de Salvador, é de autoria do cantor e compositor. O Brown é um mestre das palavras. Isso é a cara dele. Acho muito bonito ele sentir que essa palavra fazia sentido. Não é apenas uma palavra. É um conceito. Isso que é importante e as pessoas vão perceber, disse.
Afrossinfonicidade é um neologismo de sinfonias de cidades e afro porque todos nós somos. Parece que é só negro. Não são só negros. Na África não tem só pretos, tem inclusive gente de várias etnias, embora tenha essa coisa identitária devido às dificuldades que passamos no país, como escravidão e torturas as quais vencemos, afirmou Toffolo, lembrando que muitas pessoas que vieram escravizadas da África eram grandes músicos, grandes arquitetos.
Também precisamos ser o que nós viemos. Viemos grandes da África.
No lugar de projeto, Brown prefere chamar a realização do álbum de concretude, porque há um tempo vem deixando claro que chegaria este momento de juntar a linguagem sinfônica à percussão. A escolha das músicas partiu do disco Alfagamabetizado de Carlinhos Brown, que este ano completa 30 anos. Não à toa para o músico, esse é o melhor presente que pode ser oferecido.
As harmonias do Alfagamabetizado continuam contemporâneas e ali dentro a Afrossinfonicidade já se encontrava, mas sem o devido teor de execução e sem orçamento para trazer uma orquestra. Frases Ventias [música que está no volume 1] começou no Alfagamabetizado, mas só terminou com a Ouro Preto porque ganhou a letra que faltava e as intenções melódicas foram para o lugar, informou Brown em entrevista à
Agência Brasil.
Para o cantor e compositor, o que está bem explícito na parceria é a força popular.Música sinfônica é popular. Os grandes compositores de música sinfônica beberam nas fontes populares para existir. No Brasil ganha um outro viés mais adequado que é a sensualidade do barroco brasileiro. Em especial a Orquestra Ouro Preto reafirma uma coisa que está viva em Minas e na Bahia, que é o barroquismo, celebrou.
Para ser afro sinfônico não basta pegar e sair juntando com orquestra sinfônica. É preciso ter uma melodia à altura das ondas melódicas que um violino pode alcançar com a ideia de que violino e percussão estão muito ligados. A percussão é a terra, o violino, o ar, o céu e o canto passeia pelos dois, completou.
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