Nos últimos anos, o Paraguai deixou de ser apenas um parceiro comercial do Brasil para se tornar um dos maiores destinos da migração industrial brasileira. Segundo dados do regime de maquila paraguaio, mais de 230 empresas brasileiras já instalaram operações produtivas no país vizinho.
Segundo levantamento divulgado pela imprensa econômica brasileira, somente as 10 maiores maquiladoras brasileiras no Paraguai já movimentam cerca de US$ 1,3 bilhão por ano em exportações. Convertendo para reais, isso representa aproximadamente R$ 7 bilhões anuais em faturamento industrial deslocado para fora do território brasileiro.
Empregos brasileiros transferidos
De acordo com dados do governo paraguaio reproduzidos pelo Poder360, cerca de 25 mil empregos industriais deixaram o Brasil e foram criados no Paraguai através das maquiladoras.
Mas economistas alertam que o impacto indireto é muito maior. Para cada emprego industrial perdido, outros postos deixam de existir na cadeia de fornecedores, logística, manutenção, alimentação, limpeza, transporte e comércio local.
Usando multiplicadores industriais tradicionais da cadeia produtiva brasileira, a perda indireta pode ultrapassar 70 mil postos de trabalho relacionados. Isso afeta principalmente cidades industriais do Sul e Sudeste do Brasil, onde pequenas empresas dependiam dessas grandes fábricas para sobreviver.
Perda de arrecadação para o Brasil
Segundo o sistema tributário brasileiro, uma indústria nacional pode enfrentar até 34% de imposto sobre lucro, ICMS entre 17% e 23%, IPI que pode chegar a 30%, além de PIS/Cofins sobre faturamento. Já no Paraguai, a Lei de Maquila cobra apenas 1% sobre o valor agregado da exportação, além de oferecer isenções para importação de máquinas, matéria-prima e dividendos.
Com base no faturamento estimado das maiores operações brasileiras instaladas no Paraguai, especialistas calculam que o Brasil pode deixar de arrecadar centenas de milhões de reais por ano em tributos industriais diretos.
Segundo análises econômicas publicadas recentemente, contratar formalmente um trabalhador no Paraguai custa de 30% a 40% menos do que no Brasil, mesmo com salário mínimo nominal semelhante ou até superior em alguns períodos.
Outro fator decisivo é o custo energético. Segundo estudos divulgados pela imprensa econômica, a energia industrial no Paraguai pode ser até 60% mais barata que no Brasil, graças principalmente à disponibilidade de Itaipu e ao modelo energético local.
Além disso, o Paraguai oferece incentivos fiscais de longo prazo, garante estabilidade jurídica para maquiladoras por até 20 anos, simplifica abertura de empresas, reduz burocracia aduaneira, e ainda permite exportar ao Brasil via Mercosul com vantagens competitivas.
Na prática, muitas empresas conseguem fabricar no Paraguai e vender ao mercado brasileiro com custo menor do que produzindo dentro do próprio Brasil.
O avanço industrial do Paraguai não aconteceu por acaso. Ele é resultado de uma estratégia agressiva de competitividade baseada em baixa tributação, energia barata, menor custo trabalhista e segurança jurídica para investimento produtivo.
Enquanto isso, o Brasil continua convivendo com um dos ambientes industriais mais caros e complexos do continente, marcado por elevada carga tributária, excesso regulatório, insegurança jurídica e custo operacional crescente.
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